| 40 anos de Evangélica |
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Memórias da Evangélica Nos anos 60 o panorama da saúde no Brasil apresentava grandes deficiências, principalmente no âmbito da saúde pública e preventiva. Não era somente uma questão de se estabelecer uma política de saúde, havia, também, o hábito de só se buscar o atendimento de um médico em situações tidas como de gravidade ou quando a automedicação não já atendia às expectativas. O ensino da Medicina estava muito aquém das carências da sociedade. O país, que entrava numa fase de desenvolvimento, não poderia se privar da atualização e contextualização da formação de profissionais das diferentes áreas do conhecimento às necessidades brasileiras. A educação médica não ficava à parte. A deficiência da assistência médica hospitalar e de prevenção, somadas às dificuldades no campo da saúde coletiva acusava a urgência de se criar novas escolas de Medicina e de outras do campo da saúde. Até o final da década os anos 50 havia no Brasil 27 escolas de Medicina e uma população de 70 milhões de habitantes. Com o impulso dos anos 60, este número pulou para 65 escolas, e a população já superava a casa dos 90 milhões de habitantes. No final dos anos 60 Curitiba contava com duas Faculdades de Medicina: a da Universidade Federal do Paraná, fundada em 1912, e o Centro de Ciências Biomédicas da Faculdade Católica do Paraná, de 1957. Foi nesse tempo que a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba - SEB, mantenedora do Hospital Evangélico de Curitiba, deu os primeiros passos para criação da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná. O Evangélico, como era e é conhecido, possuía um corpo médico competente e apto a criar, a partir da estrutura do Hospital, uma escola de medicina. Foi assim que, em 1967, alguns médicos do Hospital, juntamente com o Conselho da SEB, começaram a estudar as possibilidades de abrir uma nova escola médica vinculada a aquela casa de saúde. A idéia de se aventurar por um empreendimento desse porte estava muito longe das possibilidades da SEB, mas a tentação era grande e os propósitos eram nobres e necessários à realidade da saúde brasileira. Foi então nomeada uma comissão para estudar as possibilidades da criação da tão sonhada faculdade. Fizeram parte dela os doutores Daniel Egg, Dalton Paranaguá, então Secretário de Estado da Saúde, José Alvarenga, Fernandino Caldeira de Andrada, Hélio Amaral Camargo, Olavo Ferreira, Nelson Paulus, o reverendo Bispo Wilbur Smith, e como relator da Comissão, o reverendo José Ferreira Filho, presidente da Comissão “pró-faculdade”. Para Doutor Coriolano, o ensino médico brasileiro seguia modelos anacrônicos, pois os currículos usados nas escolas daqui estavam pautados com padrões internacionais. Tais currículos, embora tivessem êxito em outras condições sociais, não eram os mais apropriados para o caso do nosso país. Por esta razão, o médico defendia, em seu documento, um ensino adequado aos fatores ambientais e sociais, e que funcionasse de acordo com os recursos existentes, buscando soluções própria para compor seu sistema médico e de saúde pública. A idéia de se criar uma nova escola médica em Curitiba era uma resposta em favor das constatações de Doutor Coriolano. Faria-se uma faculdade voltada à realidade brasileira e, ao mesmo tempo, sintonizada ao progresso da ciência e técnica médica. Em 1967, por ocasião da inauguração do prédio da Escola Evangélica de Auxiliares de Enfermagem, hoje o CEPE – Centro de Educação Profissional Evangélico – estava presente o Governador Paulo Cruz Pimentel. O Governador sugeriu então a criação de uma faculdade de Medicina, pois havia uma demanda muito grande para o curso de Medicina. Isto seria, também, uma solução para um problema que estava criando uma dificuldade para os governos municipal e estadual. Eram os excedentes do vestibular de Medicina da UFPR. Tal idéia ganhou corpo. A SEB aceitou a proposta, todavia, chamou a atenção para o tamanho da responsabilidade que seria assumida. Em setembro desse ano, Doutor Paulo confirmou, em carta enviada à Central Evangélica da Alemanha, o interesse do Governo do Estado do Paraná na criação da Evangélica. Esta manifestação do governador fortalecia o pedido de recursos da SEB aos evangélicos alemães. Em março de 68, Doutor Coriolano Caldas Silveira da Mota, livre docente da UFPR e Presidente do Instituto de Previdência do Município e Curitiba, apresentou, a pedido do então Prefeito da Cidade, Engenheiro Omar Sabbag, um estudo que chamou de “Considerações sobre a viabilidade da criação de uma nova escola médica em Curitiba”. Doutor Coriolano, no seu trabalho, retratou a situação do ensino da Medicina no Brasil, chamando a atenção para necessidade de se adequar o ensino da Medicina de acordo com a realidade brasileira, uma vez que, até então, o modelo do ensino médico seguia padrões consagrados em países da Europa e nos Estados Unidos. Quando Doutor Sabbag, que tinha nos seus planos a criação de uma faculdade municipal de Medicina, soube da intenção da Sociedade Evangélica, juntou aos esforços a ela e repassou o recurso para ser investido na nova escola, afinal, o empreendimento da SEB responderia às necessidades da demanda de alunos. Doutor Paulo teve uma participação importante na criação da Evangélica. Recentemente, o ex-governador e atual diretor presidente do Jornal Estado do Paraná, contou à direção desta Faculdade que tinha uma grande amizade pelo Doutor Daniel Egg, então presidente da Sociedade Evangélica do Paraná e Diretor do Hospital Evangélico. Eles eram vizinhos. Daniel era um homem sonhador, dono de uma dedicação muito grande à profissão, ao Hospital e à Sociedade Evangélica. Era um teimoso perseguidor dos seus objetivos. Certa vez Daniel manifestou a vontade de criar uma escola de medicina, mas não tinha recursos financeiros. Perguntou se Dr. Paulo Pimentel poderia, como governador, fazer alguma coisa. Imediatamente, sabendo da seriedade de propósitos do Daniel, o então governador recorreu aos meios legais que possuía para suprir a necessidade apresentada por Daniel. Os recursos do Município e do governo do Estado cobriram grande parte das despesas assumidas pela SEB para a implantação da escola médica. Havia um grande entusiasmo por parte dos idealizadores da nova faculdade. Foram feitos os contatos com o Conselho Federal de Educação para obtenção do parecer favorável à implantação da faculdade. Enquanto isso, em agosto de 1968, reuniam-se, pela primeira vez, os fundadores da Faculdade Evangélica: Daniel Egg, José Alvarenga Moreira, Oscar Aisengart, Joachim Graff, Glacy Terezinha Zancan, Eduardo Corrêa Lima, João Gualberto Scheffer, Antenor Puppo, Laufran Vilanueva, Orlando Teodorico de Freitas, Clotilde de Lourdes Branco, Coriolano Caldas da Silveira Mota e Rachel Saliba Smaka. O nome da nova instituição já tinha sido referendado pelo Conselho Superior da SEB : ela teria o nome de Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná. No mês de outubro, como é prática do Ministério da Educação, houve a visita dos avaliadores que dariam o parecer favorável ou não ao funcionamento da Faculdade. Mesmo assim, antes do parecer, os fundadores, já bastante seguros da resposta do MEC, tomaram as providências para a realização do primeiro processo seletivo em 1969. A ordem de abertura veio em 6 de dezembro de 1968, cinco meses após o parecer técnico favorável ter sido expedido pelo Conselho. Em 2 de janeiro de 1969 foi dada a primeira aula de um curso intensivo, de 180 dias letivos, para 45 estudantes excedentes da Universidade Federal do Paraná e de outras instituições do país. A aula inaugural aconteceu no dia 9 de janeiro de 1969, ministrada pelo Governador Paulo Pimentel. A Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná surgiu no cenário médico e do ensino superior com as boas vindas da sociedade. Trazia, já ao nascer, o respeito que se creditava ao Hospital Evangélico, o que prenunciava a sua qualidade institucional e a de seus futuros formandos. Doutor Egg, como Presidente da SEB e Diretor do Hospital, debruçou-se sobre o processo de criação da nova faculdade. Contou com apoio de muitos colegas médicos que, como ele, sonhavam com a possibilidade de aliar uma escola de medicina ao Hospital. Com justiça, foi escolhido Doutor Egg, em 5 de julho de 1968, diretor da Faculdade Evangélica, data em que recebeu do Conselho Federal de Educação o parecer favorável a nova casa de educação. Quando iniciaram as aulas ainda não havia um prédio próprio para o seu funcionamento. Usou-se, provisoriamente, o espaço da Escola Evangélica de Auxiliar de Enfermagem. Ali, durantes os primeiros quatro anos, acomodaram-se quatro salas de aula: de anatomia, de microscopia, dois laboratórios e a biblioteca. Era o principio de um corajoso empreendimento. O momento para criação da Faculdade era bom, mas os recursos eram poucos. Tinha-se tudo para ser fazer. Era preciso atender às necessidades de uma escola, seguir as normas do Ministério da Educação, criar a estrutura acadêmica, infra-estrutura e tantas outras coisas mais. A exigência dos fundadores e o ideal de se fazer uma excelente escola médica comprometiam os seus fundadores e a Sociedade Evangélica. Logo, no quarto mês de funcionamento da Faculdade, em 17 de abril, foi criado o órgão representativo dos alunos, o Diretório Acadêmico Daniel Egg. Como presidente e vice-presidente foram escolhidos Constantino Miguel Neto e Florisval Armando Bianchi Filho e os diretores Marcos Vinícius Chiaretto (1º secretário), Bárbara Sandra Cavassin (2ª secretária), Raul Clóvis de Araújo Santos (1º tesoureiro) e Manuel Vasquez (2º tesoureiro). No mês seguinte foi instalado o Conselho Departamental composto por fundadores da Faculdade. Eram os professores doutores José Alvarenga Moreira, Carlos Laynes de Andrade, João Gualberto de Sá Scheffer, Rached Saliba Smalka, Orlando de Freitas, Oscar Aisengart, Coriolano Calda da Silveira Mota, Laufran Vilanueva e o acadêmico Constantino Miguel Neto. Os recursos para manutenção da Faculdade deveriam vir da receita obtida com o pagamento das mensalidades pelos alunos. Elaborada a planilha de custo, estabeleceram-se os valores das mensalidades. Seis meses após o início da primeira turma, composta por alunos aprovados nos processos seletivos de outras congêneres, era tempo de se formar a segunda turma, desta vez por aprovados num concurso vestibular próprio. O primeiro vestibular foi realizado entre os dias 22 a 30 de junho de 1969. As provas seletivas foram de Biologia I e II, Química, Física, Língua Portuguesa e, como língua estrangeira, o Inglês. Foi um processo seletivo longo e, certamente, muito rigoroso. Apenas seis candidatos dos 310 inscritos foram aprovados. Esses mereceram o título de alunos fundadores da Evangélica. Foram eles: Tótila Glitz, Luiz Roberto Moreira, Arnoldo Marty Júnior, Paulo Peres Montans, Sebastião Altivo Nogueira de Souza e Gilberto Silva. Como o número de aprovados foi insuficiente para manter uma turma de um curso tão dispendioso. Foi então realizado um segundo vestibular ou “a segunda época”, um mês depois, entre os dias 21 e 24 de julho, pois já estava muito próximo da data prevista para o início das aulas do segundo semestre. Desta vez, foram aplicadas provas das mesmas matérias, exigindo-se dos candidatos, a totalidade em ambas as épocas. Desta vez classificaram-se 38 estudantes que, com os seis aprovados no primeiro vestibular, completaram uma turma de 42 alunos. Em novembro o boletim informativo que publicado pelo Hospital passou a ser administrado pela Faculdade, com o nome de “Boletim FEMPAR – HEC”, tendo como seu diretor, o professor Ari Leon Jurkiewicz. O Boletim passou a informar e a trazer textos de interesse da Faculdade e do Hospital, manifestando a integração entre o corpo docente e o corpo médico do Evangélico. Hoje, com os recursos da Internet, o acesso aos sítios da Faculdade, do Hospital e da SEB se tornou mais fácil e dinâmico, cumprindo a função do antigo boletim. O curso de Medicina já entrava no seu terceiro ano. Era tempo de dar início ao longo e trabalhoso processo de reconhecimento do Curso. Em setembro de 1971 foi encaminhado o processo e a documentação necessária para o Conselho Federal de Educação. Enquanto a documentação corria pelos departamentos do ministério aqui se elaborava o primeiro Regimento em conformidade com a legislação. Concluído, foi aceito pela Congregação da Faculdade e, posteriormente, enviado ao Conselho Federal de Educação para a sua aprovação definitiva. Finalmente, em 6 de dezembro de 1974, a primeira turma de médicos colou grau. Recebeu o nome Professor Antenor Silva Pupo. Para paraninfo foi escolhido o professor Miroslau Contante Baranski e para patrono, o professor Daniel Egg. |



