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Ano 02 / nº 10 / Fevereiro de 2005
 
  Mundo da Psicologia


Situações de estress emocional produzem
sintomas parecidos ao infarto

A morte de um ser querido, um acidente de carro, um assalto ou uma desilusão amorosa podem alterar tanto o coração que a pessoa pensa que está sofrendo um ataque cardíaco. Se trata, segundo pesquisadores da Universidade John Hopkins, de uma nova síndrome provocada por situações de muito estresse que não deixa seqüelas se for tratada.

A pesquisa, publicada pela revista "New England Journal of Medicine", realizou-se entre 1999 e 2003 com 19 pessoas que haviam sido atendidas de emergência com sintomas muito parecidos: dor no peito, líquido nos pulmões, falha cardíaca, dificuldades para respirar,...

Após a investigação e realização de exames se comprovou que não se tratava de infarto do miocárdio. As ressonâncias magnéticas e eletrocardiogramas realizados indicaram que nenhum dos pacientes tinha danos irreversíveis no músculo cardíaco e, de fato, se recuperaram completamente em poucas semanas.

O que tinham em comum estas 18 mulheres e 1 homem (com idade média ao redor dos 63 anos) era que todos haviam sofrido uma situação de estresse forte nas horas anteriores: a metade havia recebido a notícia da morte de um familiar, outros foram vítimas de roubo, tinham tido que falar em público, comparecer a um sessão judicial ou haviam recebido uma festa surpresa.

Os pacientes estressados não tinham as artérias bloqueadas nem outros sinais que pudessem indicar um ataque cardíaco; no entanto, os médicos encontraram elevados níveis de hormônios "emocionais", como a adrenalina, sendo até 34 vezes superiores se comparado a um outro grupo de sete pacientes enfartados. Suspeita-se que estas substâncias, em quantidades tão elevadas, possam ser tóxicas para os tecidos do coração de certas pessoas.

Ainda, os eletrocardiogramas mostravam um nível de atividade cardíaca superior ao normal, mas com um padrão diferente ao que se observa nos infartos. Estas pessoas não tinham trombos nas artérias que impedissem a chegada de sangue ao músculo cardíaco, mas seu coração estava tão debilitado que a capacidade de bombear se reduziu drasticamente.

"Depois de analisar vários casos de "corações partidos", nos demos conta de que estes pacientes, geralmente mulheres mais velhas, tinham características clínicas peculiares", explica o médico Ilan Wittsten, responsável pelo trabalho e cardiologista na Universidade de Baltimore (EUA). De fato, acrescenta, alguns poderiam ter falecido se não tivessem recebido tratamento a tempo.

Na sua opinião, ainda não está claro porque as mulheres sofrem mais desta síndrome, batizada de cardiomiopatia do estresse, mas assegura que é importante que os médicos distingam os pacientes com um infarto cardíaco dos que são vítimas de uma situação provocada por estresse emocional. Além disso, há que destacar que estes pacientes, que até o momento estavam aparentemente saudáveis, se recuperam em pouco tempo e não sofrem conseqüências permanentes.

Assim como explica à BBC o médico Jeremy Pearson, diretor da Associação Britânica do Coração, esta "Síndrome do Coração Partido" se dá por mecanismos diferentes dos que desencadeiam o infarto, estando relacionada à ação de hormônios do estresse sobre as células cardíacas. "A boa notícia é que se recuperam sem que seu coração sofra danos irreversíveis", conclui.

Fonte: www.100cia.com

Tradução: Daniela C. Millan

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Faculdade Evangélica do Paraná / 2005
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