Situações
de estress emocional produzem
sintomas parecidos ao infarto
A
morte de um ser querido, um acidente de carro, um
assalto ou uma desilusão amorosa podem alterar
tanto o coração que a pessoa pensa que
está sofrendo um ataque cardíaco. Se
trata, segundo pesquisadores da Universidade John
Hopkins, de uma nova síndrome provocada por
situações de muito estresse que não
deixa seqüelas se for tratada.
A
pesquisa, publicada pela revista "New England
Journal of Medicine", realizou-se entre 1999
e 2003 com 19 pessoas que haviam sido atendidas de
emergência com sintomas muito parecidos: dor
no peito, líquido nos pulmões, falha
cardíaca, dificuldades para respirar,...
Após
a investigação e realização
de exames se comprovou que não se tratava de
infarto do miocárdio. As ressonâncias
magnéticas e eletrocardiogramas realizados
indicaram que nenhum dos pacientes tinha danos irreversíveis
no músculo cardíaco e, de fato, se recuperaram
completamente em poucas semanas.
O
que tinham em comum estas 18 mulheres e 1 homem (com
idade média ao redor dos 63 anos) era que todos
haviam sofrido uma situação de estresse
forte nas horas anteriores: a metade havia recebido
a notícia da morte de um familiar, outros foram
vítimas de roubo, tinham tido que falar em
público, comparecer a um sessão judicial
ou haviam recebido uma festa surpresa.
Os
pacientes estressados não tinham as artérias
bloqueadas nem outros sinais que pudessem indicar
um ataque cardíaco; no entanto, os médicos
encontraram elevados níveis de hormônios
"emocionais", como a adrenalina, sendo até
34 vezes superiores se comparado a um outro grupo
de sete pacientes enfartados. Suspeita-se que estas
substâncias, em quantidades tão elevadas,
possam ser tóxicas para os tecidos do coração
de certas pessoas.
Ainda,
os eletrocardiogramas mostravam um nível de
atividade cardíaca superior ao normal, mas
com um padrão diferente ao que se observa nos
infartos. Estas pessoas não tinham trombos
nas artérias que impedissem a chegada de sangue
ao músculo cardíaco, mas seu coração
estava tão debilitado que a capacidade de bombear
se reduziu drasticamente.
"Depois
de analisar vários casos de "corações
partidos", nos demos conta de que estes pacientes,
geralmente mulheres mais velhas, tinham características
clínicas peculiares", explica o médico
Ilan Wittsten, responsável pelo trabalho e
cardiologista na Universidade de Baltimore (EUA).
De fato, acrescenta, alguns poderiam ter falecido
se não tivessem recebido tratamento a tempo.
Na
sua opinião, ainda não está claro
porque as mulheres sofrem mais desta síndrome,
batizada de cardiomiopatia do estresse, mas assegura
que é importante que os médicos distingam
os pacientes com um infarto cardíaco dos que
são vítimas de uma situação
provocada por estresse emocional. Além disso,
há que destacar que estes pacientes, que até
o momento estavam aparentemente saudáveis,
se recuperam em pouco tempo e não sofrem conseqüências
permanentes.
Assim
como explica à BBC o médico Jeremy Pearson,
diretor da Associação Britânica
do Coração, esta "Síndrome
do Coração Partido" se dá
por mecanismos diferentes dos que desencadeiam o infarto,
estando relacionada à ação de
hormônios do estresse sobre as células
cardíacas. "A boa notícia é
que se recuperam sem que seu coração
sofra danos irreversíveis", conclui.
Fonte:
www.100cia.com
Tradução:
Daniela C. Millan