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Ano 02 / nº 10 / Fevereiro de 2005
 
  Psicoarte

 


A ARTE DE TRANSFORMAR SE
ESCONDE NAS MÃOS

Na longa evolução humana, durante os últimos 5 Milhões de anos e o desenvolvimento do bipedalismo, houve uma "pré-adaptação", a mão humana é uma modificação da anatomia básica dos primatas. O dedo polegar humano é mais longo que no chimpanzé ou gorila e é posicionado ligeiramente mais afastado dos outros quatro dedos, portanto em posição mais oponível, possibilitando maior rotação. Isto significa que o dedo polegar pode ser girado contra os dedos o que permite pegar objetos de diferentes tamanhos com a mesma eficácia. permitiu a espécie à produção de ferramentas.

Esta sensível alteração anatômica cria uma ampla possibilidade de funções, nos dá tanto a precisão quanto à força para agarrar.


Os alcances das atividades passíveis de serem executadas pelas mãos humanas, são bastante diversificados e possibilitaram a utilização de ferramentas como a lança, machado, utilizar agulhas e linha; acalmar uma criança; fazer um leve carinho, uma cirurgia com exata precisão; pintar uma obra-prima; escrever um poema com caligrafia impecável; tocar uma música em um piano ou violino.
Homúnculo de Penfield

Já para Aristóteles (384-322 ªC.) a mão era a "ferramenta das ferramentas". O neurologista João Radvany do Hospital Albert Einstein, diz que "uma pessoa pode ter dificuldade com memorização de histórias, não lembrar do que aconteceu ontem. Mas ela não esquecerá aquilo que aprendeu a fazer ontem com o corpo". Explica que as mãos ao lado da boca e olhos, são as partes do corpo que têm maior representação no córtex cerebral e, quanto mais o homem usa estes órgãos, mais estas áreas cerebrais se expandem. São exatamente as três partes do corpo com as quais o homem expressa a arte.
O Psicólogo psicometrista com formação na Bélgica, acredita na importância de "refuncionar as mãos, dizendo que na maior parte das vezes, usamos as mãos mecanicamente sem prestar atenção. A melhor maneira de mudar isso é, meter a mão na massa", com exercícios de atividades artísticas que envolvam o cérebro e as mãos, cuja atividade deixa de ser puramente mecânica levando o indivíduo a se reconhecer na produção, tomando consciência de si.

Por ter sido justamente essa habilidade de criar instrumentos cada vez mais complexos que acabou deixando para a mão somente as tarefas mais mecânicas. A arte criativa de transformar a realidade, de dar vida a objetos, foi se tornando cada vez mais rara nas grandes cidades e, no ideal consumista as mãos livres somente para carregar sacolas, com seus polegares opositores, uma das diferenças evolutivas mais importantes entre o homem e as demais espécies. As pontas dos dedos com seus mais de 3.000 mil terminais nervosos foram relegados a apertar botões, passar o cartão na caixa do banco eletrônico, contar o dinheiro, pegar e levar, numa clara, no mínimo estagnação, quiçá, involução. O que é uma perda lastimável.

Segundo psiquiatras, psicólogos, neurologistas e artistas, o poder de criação e realização das mãos tem papel fundamental na recuperação da auto-estima, alívio do estresse, do bem estar e traz resultados positivos para o aumento da capacidade de concentração e planejamento de quem as usa. São também de excelente ajuda para o desenvolvimento infantil, terapêutica para tratamentos com idosos e pacientes de Alzheimar.

O homem atual está acostumado a apontar o indicador, ordenar ou dizer: quero aquele! Isto não quer dizer que todos devam ser artistas; apesar do potencial ser inerente e poder ser desenvolvido; mas, conservar um mínimo de prazer de fazer, como fazer um café ou fritar um ovo do jeito que mais gosta para criar aquela sensação de bem estar, elevar o sentido de auto-estima e realização.

Maria Aparecida Kuerten


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Faculdade Evangélica do Paraná / 2005

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