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A
ARTE DE TRANSFORMAR SE
ESCONDE NAS MÃOS
Na
longa evolução humana, durante os últimos
5 Milhões de anos e o desenvolvimento do bipedalismo,
houve uma "pré-adaptação",
a mão humana é uma modificação
da anatomia básica dos primatas. O dedo polegar
humano é mais longo que no chimpanzé ou
gorila e é posicionado ligeiramente mais afastado
dos outros quatro dedos, portanto em posição
mais oponível, possibilitando maior rotação.
Isto significa que o dedo polegar pode ser girado contra
os dedos o que permite pegar objetos de diferentes tamanhos
com a mesma eficácia. permitiu a espécie
à produção de ferramentas.
Esta
sensível alteração anatômica
cria uma ampla possibilidade de funções,
nos dá tanto a precisão quanto à
força para agarrar.
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Os
alcances das atividades passíveis de serem
executadas pelas mãos humanas, são
bastante diversificados e possibilitaram a utilização
de ferramentas como a lança, machado, utilizar
agulhas e linha; acalmar uma criança; fazer
um leve carinho, uma cirurgia com exata precisão;
pintar uma obra-prima; escrever um poema com caligrafia
impecável; tocar uma música em um
piano ou violino.
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Homúnculo
de Penfield
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Já
para Aristóteles (384-322 ªC.) a mão
era a "ferramenta das ferramentas". O neurologista
João Radvany do Hospital Albert Einstein, diz
que "uma pessoa pode ter dificuldade com memorização
de histórias, não lembrar do que aconteceu
ontem. Mas ela não esquecerá aquilo que
aprendeu a fazer ontem com o corpo". Explica que
as mãos ao lado da boca e olhos, são as
partes do corpo que têm maior representação
no córtex cerebral e, quanto mais o homem usa
estes órgãos, mais estas áreas
cerebrais se expandem. São exatamente as três
partes do corpo com as quais o homem expressa a arte.
O Psicólogo psicometrista com formação
na Bélgica, acredita na importância de
"refuncionar as mãos, dizendo que na maior
parte das vezes, usamos as mãos mecanicamente
sem prestar atenção. A melhor maneira
de mudar isso é, meter a mão na massa",
com exercícios de atividades artísticas
que envolvam o cérebro e as mãos, cuja
atividade deixa de ser puramente mecânica levando
o indivíduo a se reconhecer na produção,
tomando consciência de si.
Por
ter sido justamente essa habilidade de criar instrumentos
cada vez mais complexos que acabou deixando para a mão
somente as tarefas mais mecânicas. A arte criativa
de transformar a realidade, de dar vida a objetos, foi
se tornando cada vez mais rara nas grandes cidades e,
no ideal consumista as mãos livres somente para
carregar sacolas, com seus polegares opositores, uma
das diferenças evolutivas mais importantes entre
o homem e as demais espécies. As pontas dos dedos
com seus mais de 3.000 mil terminais nervosos foram
relegados a apertar botões, passar o cartão
na caixa do banco eletrônico, contar o dinheiro,
pegar e levar, numa clara, no mínimo estagnação,
quiçá, involução. O que
é uma perda lastimável.
Segundo
psiquiatras, psicólogos, neurologistas e artistas,
o poder de criação e realização
das mãos tem papel fundamental na recuperação
da auto-estima, alívio do estresse, do bem estar
e traz resultados positivos para o aumento da capacidade
de concentração e planejamento de quem
as usa. São também de excelente ajuda
para o desenvolvimento infantil, terapêutica para
tratamentos com idosos e pacientes de Alzheimar.
O
homem atual está acostumado a apontar o indicador,
ordenar ou dizer: quero aquele! Isto não quer
dizer que todos devam ser artistas; apesar do potencial
ser inerente e poder ser desenvolvido; mas, conservar
um mínimo de prazer de fazer, como fazer um café
ou fritar um ovo do jeito que mais gosta para criar
aquela sensação de bem estar, elevar o
sentido de auto-estima e realização.
Maria
Aparecida Kuerten
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