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Profª.
Maria de Fátima Caldeira
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Por
Arlene Winter e Ivanete Câmara
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1)
Maria de Fátima por Maria de Fátima (como
você se define, do que você mais gosta,
etc.)
Eu
me considero uma pessoa feliz por tudo que já
conquistei em minha vida até aqui. Fiz muita
coisa boa. Mas também cometi erros. E cada erro
virou uma aprendizagem em minha caminhada como ser humano.
Considero-me alegre, persistente, determinada. Acho
que algumas vezes esse desejo meu de lutar pelo que
quero, que considero ser necessário, pode fazer
com que pareça dura. No entanto, procuro equilibrar
momentos em que tenho que ser dura com a flexibilidade
necessária. Geralmente me coloco no lugar do
outro nas situações pelas quais passam.
Considero como é para o outro ouvir as coisas
que estou dizendo.
2) Por que você escolheu a Psicologia?
Sempre
gostei da área de educação. Ser
psicóloga foi conseqüência dessa escolha.
Antes de ser psicóloga sou educadora. Envolvi-me
ainda bem nova, na adolescência, com educação,
sendo auxiliar de professoras, depois lecionando turmas
de MOBRAL, inteirando-me do desafio de alfabetização
de adultos e dos desafios envolvidos em sua educação.
Minha família toda é de pedagogos. Isso
me incentivou a continuar na área de educação,
mas também me impulsionou a buscar um diferencial.
E com certeza esse diferencial foi a psicologia.
3) Uma grande parte dos profissionais em Psicologia
preferem dedicar-se integralmente a consultórios
ou mesmo assessorias. Por que entre suas escolhas quanto
à psicologia, você incluiu o ensino?
Sempre
me vi envolvida com educação, apesar de
querer também atuar em consultório. Mas,
me formei atuando na área de educação,
facilitando meu acesso a esse mercado de trabalho que
às vezes é mais difícil. O salto
qualitativo na minha vida e na minha atuação
como psicóloga deu-se quando percebi, que precisava
trabalhar também com as famílias, e não
só com professores e alunos. Atendia no consultório
crianças com dificuldades de aprendizagem, mas
às vezes os progressos eram poucos. O curso de
terapia familiar sistêmica ampliou minha visão
de uma maneira significativa. Descobri que o processo
de educação é muito mais amplo,
não inclui apenas o indíviduo, no caso
a criança, mas todo o sistema familiar e o sistema
escolar. Por isso tanto no consultório como na
psicologia escolar busco observar a organização
do sistema em que o sujeito está incluído.
4) Além de psicóloga, você é
formada em educação artística.
Que diferencial a arte-educação têm
em seu trabalho? É possível vincular arte
e psicologia?
No
meu período de estudante sempre me envolvi com
artes, teatro, expressão corporal. Passei em
artes e psicologia (ia tentar ver com qual me identificaria,
mas amei as duas), duas áreas que se completam.
Ambas as escolhas me ajudaram a ser uma educadora melhor.
O artista tem a capacidade de passar parte dele com
o que ele faz e de certa forma é isso que o psicólogo
também faz. A humildade do artista, sua vida
despojada é algo importante para o psicólogo.
Saber expressar-se, vivenciar momentos com intensidade
é também uma linguagem, e essa é
fundamental para o psicólogo.
5) Você tem desenvolvido um excelente trabalho
com crianças com necessidades especiais no Pequeno
Cotolengo, na Escola Nilza Tartuce e no Ambulatório
da Síndrome de Down. Qual o significado disso
para sua vida como ser humano e como profissional?
Eu
sempre olhei para elas como pessoas, e não como
síndromes ou deficientes. Trabalhar com pessoas
com necessidades especiais me fez mais tolerante com
os outros e principalmente comigo mesmo, não
me culpando por coisas que não posso fazer. Descobri
que a linguagem do olhar, do toque, da relação,
é uma forma de comunicação e interação
com essas crianças. Também, que esse campo
requer muita dedicação e estudos, então
o mestrado e muito da minha busca de atualização
está direcionada a melhora da qualidade de vidas
de pessoas com necessidades especiais e suas famílias.
6) O que você gostaria de levar pra
toda vida e o que deixaria como legado para seus alunos,
amigos e família?
Deus
criou a diferença. O preconceito nós criamos.
Isso nos escraviza nos separa, nos divide. A diversidade
é a principal característica do ser humano,
qual de vocês tem os dedões iguais? Precisamos
aprender a respeitar essa diferença, aprender
a respeitar a nós e aos outros como são.
Por isso, o que sempre digo a minhas filhas e gostaria
que elas pudessem levar consigo: que devemos gostar
de nós mesmos como somos, imperfeitos, falíveis.
Só então poderemos gostar e aceitar o
outro. Quanto à vida no geral: carpe diem. Viver
com alegria, com intensidade.
7) Você está participando da Coordenação
do 1º Simpósio Nacional de Genética
Clínica e Psicologia. Como está sendo
trabalhar esta interdisciplinaridade?
Tem
sido uma experiência ótima. A proposta
interdisciplinar tem demonstrado a importância
para ciência dessa visão. Já participei
de eventos assim em Cuba e em Londres, no Brasil é
a primeira vez. A oportunidade que Curitiba irá
vivenciar, com certeza, será muito rica, pois
teremos participantes de todo o Brasil e muitos internacionais.
8) Qual a importância da participação
dos acadêmicos neste Congresso?
Profa.
Maria de Fátima: Os acadêmicos precisam
estar conscientes de que essa área da psicologia
genética é uma área emergente.
As descobertas dos últimos anos trouxeram informações
surpreendentes, e o que se ensinava há dois anos
atrás nesse tema já não se ensina
mais. O Congresso abordará tópicos fundamentais
como obesidade, depressão, síndromes genéticas,
agressividade, ansiedade, entre outros, proporcionando
uma oportunidade única para o crescimento como
profissionais e como pessoas.
Profª. Maria de Fátima
Minetto Caldeira Silva
Graduada em Educação Artística
pela UFPR, Graduada em Psicologia pela UTP, Mestre em
Educação - Cognição e Aprendizagem
pela UFPR, Especialista em Educação Especial
pela UFPR, Especialista em Neuropsicologia pelo CENTRAE.
E-mail: afcaldeira@brturbo.com
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