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Ano 02 / nº 13 / Maio de 2005
 
  Entrevistas


Profª. Maria de Fátima Caldeira

Por Arlene Winter e Ivanete Câmara

1) Maria de Fátima por Maria de Fátima (como você se define, do que você mais gosta, etc.)

Eu me considero uma pessoa feliz por tudo que já conquistei em minha vida até aqui. Fiz muita coisa boa. Mas também cometi erros. E cada erro virou uma aprendizagem em minha caminhada como ser humano. Considero-me alegre, persistente, determinada. Acho que algumas vezes esse desejo meu de lutar pelo que quero, que considero ser necessário, pode fazer com que pareça dura. No entanto, procuro equilibrar momentos em que tenho que ser dura com a flexibilidade necessária. Geralmente me coloco no lugar do outro nas situações pelas quais passam. Considero como é para o outro ouvir as coisas que estou dizendo.


2) Por que você escolheu a Psicologia?

Sempre gostei da área de educação. Ser psicóloga foi conseqüência dessa escolha. Antes de ser psicóloga sou educadora. Envolvi-me ainda bem nova, na adolescência, com educação, sendo auxiliar de professoras, depois lecionando turmas de MOBRAL, inteirando-me do desafio de alfabetização de adultos e dos desafios envolvidos em sua educação. Minha família toda é de pedagogos. Isso me incentivou a continuar na área de educação, mas também me impulsionou a buscar um diferencial. E com certeza esse diferencial foi a psicologia.


3) Uma grande parte dos profissionais em Psicologia preferem dedicar-se integralmente a consultórios ou mesmo assessorias. Por que entre suas escolhas quanto à psicologia, você incluiu o ensino?

Sempre me vi envolvida com educação, apesar de querer também atuar em consultório. Mas, me formei atuando na área de educação, facilitando meu acesso a esse mercado de trabalho que às vezes é mais difícil. O salto qualitativo na minha vida e na minha atuação como psicóloga deu-se quando percebi, que precisava trabalhar também com as famílias, e não só com professores e alunos. Atendia no consultório crianças com dificuldades de aprendizagem, mas às vezes os progressos eram poucos. O curso de terapia familiar sistêmica ampliou minha visão de uma maneira significativa. Descobri que o processo de educação é muito mais amplo, não inclui apenas o indíviduo, no caso a criança, mas todo o sistema familiar e o sistema escolar. Por isso tanto no consultório como na psicologia escolar busco observar a organização do sistema em que o sujeito está incluído.


4) Além de psicóloga, você é formada em educação artística. Que diferencial a arte-educação têm em seu trabalho? É possível vincular arte e psicologia?

No meu período de estudante sempre me envolvi com artes, teatro, expressão corporal. Passei em artes e psicologia (ia tentar ver com qual me identificaria, mas amei as duas), duas áreas que se completam. Ambas as escolhas me ajudaram a ser uma educadora melhor. O artista tem a capacidade de passar parte dele com o que ele faz e de certa forma é isso que o psicólogo também faz. A humildade do artista, sua vida despojada é algo importante para o psicólogo. Saber expressar-se, vivenciar momentos com intensidade é também uma linguagem, e essa é fundamental para o psicólogo.


5) Você tem desenvolvido um excelente trabalho com crianças com necessidades especiais no Pequeno Cotolengo, na Escola Nilza Tartuce e no Ambulatório da Síndrome de Down. Qual o significado disso para sua vida como ser humano e como profissional?

Eu sempre olhei para elas como pessoas, e não como síndromes ou deficientes. Trabalhar com pessoas com necessidades especiais me fez mais tolerante com os outros e principalmente comigo mesmo, não me culpando por coisas que não posso fazer. Descobri que a linguagem do olhar, do toque, da relação, é uma forma de comunicação e interação com essas crianças. Também, que esse campo requer muita dedicação e estudos, então o mestrado e muito da minha busca de atualização está direcionada a melhora da qualidade de vidas de pessoas com necessidades especiais e suas famílias.


6) O que você gostaria de levar pra toda vida e o que deixaria como legado para seus alunos, amigos e família?

Deus criou a diferença. O preconceito nós criamos. Isso nos escraviza nos separa, nos divide. A diversidade é a principal característica do ser humano, qual de vocês tem os dedões iguais? Precisamos aprender a respeitar essa diferença, aprender a respeitar a nós e aos outros como são. Por isso, o que sempre digo a minhas filhas e gostaria que elas pudessem levar consigo: que devemos gostar de nós mesmos como somos, imperfeitos, falíveis. Só então poderemos gostar e aceitar o outro. Quanto à vida no geral: carpe diem. Viver com alegria, com intensidade.


7) Você está participando da Coordenação do 1º Simpósio Nacional de Genética Clínica e Psicologia. Como está sendo trabalhar esta interdisciplinaridade?

Tem sido uma experiência ótima. A proposta interdisciplinar tem demonstrado a importância para ciência dessa visão. Já participei de eventos assim em Cuba e em Londres, no Brasil é a primeira vez. A oportunidade que Curitiba irá vivenciar, com certeza, será muito rica, pois teremos participantes de todo o Brasil e muitos internacionais.


8) Qual a importância da participação dos acadêmicos neste Congresso?

Profa. Maria de Fátima: Os acadêmicos precisam estar conscientes de que essa área da psicologia genética é uma área emergente. As descobertas dos últimos anos trouxeram informações surpreendentes, e o que se ensinava há dois anos atrás nesse tema já não se ensina mais. O Congresso abordará tópicos fundamentais como obesidade, depressão, síndromes genéticas, agressividade, ansiedade, entre outros, proporcionando uma oportunidade única para o crescimento como profissionais e como pessoas.


Profª. Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva
Graduada em Educação Artística pela UFPR, Graduada em Psicologia pela UTP, Mestre em Educação - Cognição e Aprendizagem pela UFPR, Especialista em Educação Especial pela UFPR, Especialista em Neuropsicologia pelo CENTRAE.
E-mail: afcaldeira@brturbo.com

Faculdade Evangélica do Paraná / 2005
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