Seu informativo mensal sobre o curso de Psicologia da Faculdade Evangélica do Paraná!
Menu
Links


Anúncios




Clique Aqui
para anunciar!

Classificados
Ano 02 / nº 15 / Julho de 2005
 
  Entrevistas


Eloá Andreassa


"O Psicodrama para mim é uma
forma de olhar a vida e as relações,
não só meu trabalho"


Por Mariana Monteiro


1) Como foi sua formação profissional? Como foi sua formação em Psicodrama?

Sou formada pela Universidade Tuiuti em Psicologia - turma de 1989.
Iniciei em março de 1989 o curso de Formação em Psicodrama pela Conttexto - Associação de Psicodrama do Paraná. Esta formação teve duração de 2 anos e meio, do qual resultou um convite para fazer um estágio na equipe da Conttexto e ser professora de Psicodrama. Este estágio durou dois anos, com a participação nos grupos de formação e a preparação de um trabalho que foi apresentado na num congresso promovido pela FEBRAP (Federação Brasileira de Psicodrama) para credenciamento como professora supervisora.


2) O que a motivou a trabalhar com o Psicodrama?

Inicialmente o trabalho com dinâmicas de grupo (antes de começar o curso). Durante o curso entendi que mais que isso era o encontro com uma abordagem que pregava o homem criativo, espontâneo e transformador, cujo objetivo era a transformação da sociedade. Descobri uma visão filosófica, humanista, existência e fenomenológica na qual me encaixei. Mais a fundo ainda era também o reencontro com Deus, pois Moreno enfatizava que o homem possuía uma "centelha divina".


3) Que resultados você obtém no trabalho com essa abordagem?

O Psicodrama para mim é uma forma de olhar a vida e as relações, não só meu trabalho. Assim ela permeia tudo que faço, a busca por ser cada dia mais espontânea, criativa, compreender minhas relações pessoais e profissionais, o que me liga a determinadas pessoas e me afasta de outras, o que acontece no aqui e agora e no lá-e-então que está sempre transformando quem eu sou. No meu trabalho a visão psicodramática é o que norteia a terapia, no sentido de ajudar aos pacientes a desenvolver novas respostas na vida, ser mais espontâneos e melhorar suas percepções nas relações. Nas aulas também utilizo técnicas para sedimentar o conhecimento técnico, pois acredito que fazendo aprendemos mais, pois Psicodrama É ação.


4) Na sua opinião, quais as limitações do Psicodrama?

No corpo teórico para dizer como se chega a ser esse homem espontâneo e criativo quando temos tantos modelos a seguir e teias invisíveis que nos prendem, principalmente na matriz de identidade - conceito não suficientemente desenvolvido nesta abordagem.


5) Como você supriu essa limitação?

Através da formação em Terapia Familiar Sistêmica, na qual encontrei uma base sólida para compreender os laços familiares e mudar papéis e funções que amarram as pessoas umas às outras e inibem seu desenvolvimento. Na minha maneira de ver essas duas abordagens associadas apresentam excelentes resultados na psicoterapia.


6) Quais foram suas dificuldades no início do seu trabalho com o Psicodrama?

A falta de espontaneidade, pouco desenvolvimento pessoal, a rigidez da formação acadêmica que amarrava a atuação espontânea. Foi difícil me soltar no início. A própria atuação do diretor de psicodrama que intervém ativamente com o grupo era diferente do modelo do psicólogo que permite a expressão do paciente, mas não intervém tão ativamente. Depois descobri que na sistêmica o terapeuta também interage com o cliente.


7) De que forma você as superou?

Fazendo terapia individual e em grupo de psicodrama, onde vivenciávamos a técnica e fazíamos o processamento. A própria formação em Psicodrama sempre trabalhando a teoria de forma vivencial ajudou bastante.


8) Na sua opinião, há diferença, do ponto de vista da eficiência e de resultados, entre o trabalho em grupo e o psicodrama bipessoal?

Sim e grande. No grupo o Psicodrama produz resultados intensos, fortes e inesquecíveis. Uma pessoa não sai igual de uma dramatização onde ela realmente vivencia um papel, experimenta jogar o papel do outro e onde ela pode ver a si mesma sob o olhar do outro. No bipessoal os recursos são mais limitados porque o terapeuta é quem assume os papéis, o que limita sua atuação como diretor. Também o compartilhar do grupo é muito forte e traz consciência aos participantes.


9) Você trabalha com as duas formas? Como se dão esses processos?

Na terapia bipessoal utilizo alguns recursos para favorecer que o cliente exercite colocar-se no lugar do outro, e o encontro consigo mesmo, onde me torno o ego-auxiliar do cliente assumindo seus personagens internos e partes de sua personalidade que não aceita.
Em grupo, estou com o workshop "Relações Imperfeitas", no qual uso conceitos da sistêmica e do psicodrama e como técnica uso à dramatização de um tema escolhido pelo grupo, o que proporciona assumir papéis, escolhidos "casualmente", que no compartilhar se revelam estarem conectados com as histórias pessoais dos participantes. Nos dois grupos que dirigi, vi acontecendo tudo o que aprendemos sobre psicodrama: as escolhas sociométricas, o fator tele que liga as pessoas e faz com que assumam sem perceber, papéis que aparentemente eram indiferentes ou desconectados de suas experiências.


Eloá Andreassa
Psicóloga com formação em Psicodrama, Terapia Familiar Sistêmica; Terapia Comunitária. Pós-graduada em Didática de Ensino superior. CRP 08/3668
Endereço: Av. Cândido Hartmann, 570 conj 193
Tel: 3016-5036
E-mail: valledosol@terra.com.br

Faculdade Evangélica do Paraná / 2005
Nós respeitamos a sua privacidade. Caso não queira mais receber nosso informativo Clique Aqui