Eloá Andreassa
"O Psicodrama para mim é uma
forma de olhar a vida e as relações,
não só meu trabalho"
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1) Como foi sua formação profissional?
Como foi sua formação em Psicodrama?
Sou
formada pela Universidade Tuiuti em Psicologia - turma
de 1989.
Iniciei em março de 1989 o curso de Formação
em Psicodrama pela Conttexto - Associação
de Psicodrama do Paraná. Esta formação
teve duração de 2 anos e meio, do qual
resultou um convite para fazer um estágio na
equipe da Conttexto e ser professora de Psicodrama.
Este estágio durou dois anos, com a participação
nos grupos de formação e a preparação
de um trabalho que foi apresentado na num congresso
promovido pela FEBRAP (Federação Brasileira
de Psicodrama) para credenciamento como professora supervisora.
2)
O que a motivou a trabalhar com o Psicodrama?
Inicialmente
o trabalho com dinâmicas de grupo (antes de começar
o curso). Durante o curso entendi que mais que isso
era o encontro com uma abordagem que pregava o homem
criativo, espontâneo e transformador, cujo objetivo
era a transformação da sociedade. Descobri
uma visão filosófica, humanista, existência
e fenomenológica na qual me encaixei. Mais a
fundo ainda era também o reencontro com Deus,
pois Moreno enfatizava que o homem possuía uma
"centelha divina".
3) Que resultados você obtém no trabalho
com essa abordagem?
O
Psicodrama para mim é uma forma de olhar a vida
e as relações, não só meu
trabalho. Assim ela permeia tudo que faço, a
busca por ser cada dia mais espontânea, criativa,
compreender minhas relações pessoais e
profissionais, o que me liga a determinadas pessoas
e me afasta de outras, o que acontece no aqui e agora
e no lá-e-então que está sempre
transformando quem eu sou. No meu trabalho a visão
psicodramática é o que norteia a terapia,
no sentido de ajudar aos pacientes a desenvolver novas
respostas na vida, ser mais espontâneos e melhorar
suas percepções nas relações.
Nas aulas também utilizo técnicas para
sedimentar o conhecimento técnico, pois acredito
que fazendo aprendemos mais, pois Psicodrama É
ação.
4)
Na sua opinião, quais as limitações
do Psicodrama?
No
corpo teórico para dizer como se chega a ser
esse homem espontâneo e criativo quando temos
tantos modelos a seguir e teias invisíveis que
nos prendem, principalmente na matriz de identidade
- conceito não suficientemente desenvolvido nesta
abordagem.
5) Como você supriu essa limitação?
Através
da formação em Terapia Familiar Sistêmica,
na qual encontrei uma base sólida para compreender
os laços familiares e mudar papéis e funções
que amarram as pessoas umas às outras e inibem
seu desenvolvimento. Na minha maneira de ver essas duas
abordagens associadas apresentam excelentes resultados
na psicoterapia.
6) Quais foram suas dificuldades no início
do seu trabalho com o Psicodrama?
A
falta de espontaneidade, pouco desenvolvimento pessoal,
a rigidez da formação acadêmica
que amarrava a atuação espontânea.
Foi difícil me soltar no início. A própria
atuação do diretor de psicodrama que intervém
ativamente com o grupo era diferente do modelo do psicólogo
que permite a expressão do paciente, mas não
intervém tão ativamente. Depois descobri
que na sistêmica o terapeuta também interage
com o cliente.
7)
De que forma você as superou?
Fazendo
terapia individual e em grupo de psicodrama, onde vivenciávamos
a técnica e fazíamos o processamento.
A própria formação em Psicodrama
sempre trabalhando a teoria de forma vivencial ajudou
bastante.
8)
Na sua opinião, há diferença, do
ponto de vista da eficiência e de resultados,
entre o trabalho em grupo e o psicodrama bipessoal?
Sim
e grande. No grupo o Psicodrama produz resultados intensos,
fortes e inesquecíveis. Uma pessoa não
sai igual de uma dramatização onde ela
realmente vivencia um papel, experimenta jogar o papel
do outro e onde ela pode ver a si mesma sob o olhar
do outro. No bipessoal os recursos são mais limitados
porque o terapeuta é quem assume os papéis,
o que limita sua atuação como diretor.
Também o compartilhar do grupo é muito
forte e traz consciência aos participantes.
9) Você trabalha com as duas formas? Como se
dão esses processos?
Na
terapia bipessoal utilizo alguns recursos para favorecer
que o cliente exercite colocar-se no lugar do outro,
e o encontro consigo mesmo, onde me torno o ego-auxiliar
do cliente assumindo seus personagens internos e partes
de sua personalidade que não aceita.
Em grupo, estou com o workshop "Relações
Imperfeitas", no qual uso conceitos da sistêmica
e do psicodrama e como técnica uso à dramatização
de um tema escolhido pelo grupo, o que proporciona assumir
papéis, escolhidos "casualmente", que
no compartilhar se revelam estarem conectados com as
histórias pessoais dos participantes. Nos dois
grupos que dirigi, vi acontecendo tudo o que aprendemos
sobre psicodrama: as escolhas sociométricas,
o fator tele que liga as pessoas e faz com que assumam
sem perceber, papéis que aparentemente eram indiferentes
ou desconectados de suas experiências.
Eloá Andreassa
Psicóloga com formação
em Psicodrama, Terapia Familiar Sistêmica; Terapia
Comunitária. Pós-graduada em Didática
de Ensino superior. CRP 08/3668
Endereço:
Av. Cândido Hartmann, 570 conj 193
Tel: 3016-5036
E-mail: valledosol@terra.com.br
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