Unidade
Fênix em foco
Durante
dois dias consecutivos do mês de agosto,
a unidade de alto risco Fênix e o programa
de atendimento a adolescentes em conflito com
a lei, coordenado pela psicóloga e professora
da Evangélica Dra. Paula Inez Cunha Gomide,
foi notícia no jornal Gazeta do Povo.
A
grande incidência de atos violentos praticados
por adolescentes e a recente onda de ataques do
PCC levam a sociedade a repensar uma série
questões como, por exemplo, a redução
da maioridade penal de 18 para 16 anos e o Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto,
poucos param para pensar que esses jovens podem
ser vítimas da sociedade. A história
de vida desses meninos é marcada por abuso
físico, sexual e negligência dos
pais.
Após
a rebelião ocorrida em 2004, no Educandário
São Francisco, que resultou na morte de
7 adolescentes, o Instituto de Ação
Social do Paraná (IASP) decidiu criar uma
unidade de alto risco para abrigar internos com
histórico infracional grave ou que necessitassem
de atendimento específico. Esta unidade
recebeu o nome de Fênix e tem capacidade
para acomodar 18 meninos em celas individuais,
das quais 8 são blindadas. Paula Gomide
foi quem desenvolveu o programa socioeducativo
para essa unidade de internação
de adolescentes de alta periculosidade.
O
programa idealizado pela profa. Paula Gomide diferencia-se
por oferecer constante acompanhamento psicológico,
educacional e de egresso, aliado a medidas de
segurança máxima. A proposta de
ressocialização da Fênix é
inovadora e pautada na escolarização,
profissionalização, psicoterapia,
avaliação continuada, grupos de
desenvolvimento de comportamento moral e habilidades
sociais, aulas de informática, artesanato,
além do acompanhamento e avaliação
de egresso. A reintegração à
sociedade é programada cuidadosamente com
a formação de uma rede de proteção
com educadores e voluntários. De acordo
com a profa. Paula Gomide, continuar acompanhando
o adolescente quando ele readquire a liberdade
pode diminuir a reincidência em torno de
65%. No momento, a unidade atende 15 adolescentes
de 16 a 18 anos, considerados de risco, e conta
com uma equipe de 22 profissionais entre educadores,
psicólogos, assistente social, professores
e outros.
Após 1 ano e meio de atividades, o sucesso
do programa é avaliado em 58%, o equivalente
a 8 meninos desinternados e que hoje estão
estudando, trabalhando, morando em residência
fixa e sem reincidência criminal.
Atualmente,
a psicóloga, e também professora
da Evangélica, Giovana Veloso Munhoz da
Rocha é quem ocupa a função
de diretora da Unidade Fênix. E para nós
acadêmicos de psicologia, estar em contato
cotidiano com esta realidade através das
professoras Paula e Giovana e participar de atividades
programadas, proporciona uma visão única
e preciosa.
Por
Daniela C. Millan - acadêmica de psicologia
do 8º. período