Música
pode influenciar julgamento gustativo e estado de
ânimo de crianças
A
relação entre o tipo de música,
alegre ou triste, ouvida durante o consumo de soluções
(amarga ou doce), afetou o ânimo e o julgamento
gustativo de 83 crianças de duas creches de
São Paulo, em pesquisa feita no IP
A
psicóloga observou que a música exerce
efeitos sobre o estado de ânimo principalmente
em situações contrastantes,
ou seja, suco amargo com melodia alegre, ou suco doce
com melodia triste
A
audição de músicas populares
durante a ingestão de alimentos pode influenciar
o julgamento gustativo e o estado de ânimo em
crianças. A constatação é
da psicóloga Viviane Freire Bueno, que efetuou
provas de soluções de sabores doces
e amargos, com e sem a presença de música,
em 83 crianças de 5 a 10 anos de idade. Segundo
a pesquisadora, quando as músicas eram tristes,
a avaliação sobre o sabor modificava-se
da original, sem música.
Em
seu estudo de mestrado pelo Instituto de Psicologia
(IP) da USP, Viviane pretendeu avaliar a percepção
de emoção na música com crianças,
além da modificação de seu julgamento
de sabor. Para tanto, os pequenos provaram duas soluções
diferentes: uma à base de sacarose e outra
de cafeína, em situações sem
ouvir qualquer melodia, e escutando músicas
tristes e músicas felizes. A pesquisa envolveu
crianças atendidas em duas creches que mantém
parceria com a Prefeitura de São Paulo.
"Para
despertar o interesse nos sucos, como foram chamadas
as soluções, foi contada uma historinha
na qual um mago teria produzido aquelas bebidas para
que as crianças provassem", explica a
psicóloga. Na ausência de música,
elas tinham que dizer, após a prova, se o suco
era amargo ou doce, e gostoso ou não gostoso,
de acordo com duas faces representativas de alegria
e tristeza.
Com
música, a criança fazia duas provas:
ouvindo duas melodias pré-qualificadas como
alegres e depois duas tristes. Foi pedido para que
elas prestassem atenção na música
e no suco, e que identificassem se a música
era alegre ou triste e se o sabor era gostoso ou não
gostoso. "Quando a música era triste,
a avaliação de gostoso ou não
gostoso era alterada", conta Viviane. "Além
disso, uma das tristes foi horrível para todas
as crianças, enquanto uma das alegres fez com
que elas se mantivessem felizes mesmo ao provar o
suco amargo".
Contextos
A psicóloga observou que a música exerce
efeitos sobre o estado de ânimo principalmente
em situações contrastantes, ou seja,
suco amargo com melodia alegre, ou suco doce com melodia
triste. "Além disso, a criança
reporta ao seu contexto de vida para dizer se é
ruim ou bom, tanto o sabor quanto a música.
Mesmo estímulos simples podem despertar estados
de ânimo e as crianças respondem a isso",
explica.
Outra
avaliação foi em relação
ao motivo do julgamento, a música, o sabor,
ou ambos. "Os estímulos desagradáveis
influenciam mais nos motivos das crianças",
explica Viviane. Em situações congruentes
(suco doce com música alegre e suco amargo
com música triste), observou-se que as crianças
acima de 7 anos identificavam o sabor e a melodia
como os responsáveis pela alegria ou tristeza,
ao contrário das mais novas, que se prendem
a apenas um estímulo. "Isso demonstra
um maior desenvolvimento sensorial nesta idade",
conclui.
Mais
informações:
(0XX11) 8243-1467, vfbueno@usp.br,
com a pesquisadora
Por
Marina Verjovsky
Ciência Hoje On-line